sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Caminho

O Caminho - Por Luiz Carlos Bordin

O pequeno caminhante, em meio ao seu momento de reflexão, acomodou-se para ouvir e se conectar com o todo. As observações geram dúvidas e assim, vêm os questionamentos.
Sentou-se ao pé de uma frondosa árvore de açoita cavalo e pôs-se em silencio. Perguntava-se sobre qual caminho a seguir, se existia um caminho verdadeiro e se existisse qual seria este caminho (?).
Era final de tarde e a sábia mãe natureza, parecia, em seu ritmo normal, preparar-se para a noite enluarada que estava por vir. Sabiamente, o pequeno caminhante, a tudo estava atento. Uma pequena brisa se fazia presente e apenas era lembrada por deitar levemente as folhas de capim das encostas. Algumas borboletas amarelas pareciam saltitar sobre flores de chumbinho. Ao longe as vacas leiteiras iam em silenciosa fila para a ordenha.
As raízes do velho pé de açoita cavalo pareciam caminhar sobre a terra. Eram altas como galhos colados ao chão. E entre um destes “galhos” estava posicionado um pequeno formigueiro. As formigas, como sempre, em seu ziguezaguear interminável, descreviam inúmeros caminhos e formas para se locomover e chegar com seu fardo de minúsculos cortes de folhas ao seu ninho. Algumas vinham por uma espécie de túnel, que de tão usado já se infiltrava sob o gramado ralo. Outras vinham ao longo da raiz da árvore. Outras mais ousadas caminhavam como que escalando por pedaços de vegetais e pedras soltos pelo caminho. Enfim, uma clara resposta. Todas elas, embora fossem filhas da mesma Rainha buscavam a sua nutrição por tortuosos caminhos que levavam ao mesmo lugar. Eis a resposta. Simples assim.
Não importa para nós buscadores se estamos trilhando aquele velho caminho ou se estamos buscando novos. O que realmente está em questão é estar nele. Realmente não interessa, pois não há somente uma forma de expressar, uma fórmula mágica, mas sim aquela VERDADE que nos conduz a pureza da intenção. Então tudo se torna claro e estamos nos distanciando do medo, dos dogmas. A luz que buscamos não nos queima, apenas nos ilumina. Não há porque temer se estamos na verdade. Fazendo tudo com amor e pureza. Basta qualquer inverdade para desviar-nos do sagrado caminho.
O pequeno caminhante olhou para o longe e mirou na copa de uma velha árvore que se destacava no horizonte. Era globosa e lembrava a silhueta de nossa PACHAMAMA. Imaginou desenhada naquela Terra nossos continentes, nossos oceanos. Todos os povos e conceitos expressando sua “Re-ligação” na sua forma mais pura. Eram como as formigas. Buscavam, simplesmente. Todos os povos e suas crenças estavam certos. A verdade está na busca. Aquilo que chamamos de DEUS não seria tolo para aceitar em seu formigueiro somente aqueles que viessem por um caminho, seja ele do velho ou do novo. Mas sim, receber a todos aqueles que vieram pelo caminho do amor, da verdade, da aceitação.
Mais um aprendizado e que mais uma vez veio escrito na sua forma mais simples. O caminho é simples e a prática é aberta. Está em seu coração a escolha e também está nele a VERDADE. Afinal está escrito num deles que há muitas moradas na casa do PAI. O julgamento aos nossos irmãos não nos cabe.

Luiz Carlos Bordin